MUNICÍPIO DE BENJAMIN CONSTANT DO SUL

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# O TELEFONISTA

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O Telefonista

Em meados da década de 1960, Benjamin Constant, então distrito do município de São Valentim, recebeu uma importante novidade para a época: a instalação de sua primeira central telefônica. Embora o sistema ainda fosse bastante precário, representou um grande avanço para a comunidade, pois permitia a comunicação com outras localidades, facilitando a resolução de questões do cotidiano e, sobretudo, amenizando a saudade de amigos e familiares que viviam distantes.

A história teve início quando Domingos Cappellari, subprefeito de Benjamin Constant, juntamente com Romualdo Roque de Marco, prefeito de São Valentim no período de 1969 a 1972, tomou a iniciativa de implantar um ramal telefônico na localidade. A primeira central foi instalada na residência de Rosi Tombini, situada em frente ao local onde hoje funciona o CRAS do município.

Quando Rosi Tombini se mudou para Cascavel, sua filha, Tere Tombini, assumiu a responsabilidade pela central, dando continuidade ao serviço. Ela permaneceu nessa função até também se mudar para a mesma cidade. Com sua saída, surgiu a necessidade de encontrar um novo local e alguém que pudesse dar continuidade ao atendimento telefônico.

Foi então que Vitório Cappellari e sua família passaram a operar a central em sua residência, localizada ao lado da casa onde atualmente reside Ari Cappellari. Durante muitos anos, Vitório e seus familiares desempenharam um papel fundamental na comunicação da comunidade, intermediando chamadas entre Benjamin Constant e outras localidades.

Naquela época, fazer uma ligação telefônica exigia paciência e a ajuda do telefonista. Era preciso dirigir-se à central, solicitar a ligação e aguardar que a conexão fosse estabelecida. Cada chamada representava uma oportunidade de transmitir notícias, resolver assuntos importantes ou simplesmente ouvir a voz de alguém querido que estava longe. Assim, a residência de Vitório Cappellari tornou-se um ponto de referência para os moradores e um elo indispensável entre a comunidade e o mundo exterior.

Além de abrigar a central telefônica, a residência também sediava o serviço dos Correios de Benjamin Constant. Por mais de duas décadas, os moradores frequentaram aquele endereço para realizar ou receber ligações, enviar cartas e retirar correspondências. Em um tempo em que os meios de comunicação eram limitados, o local assumiu uma importância que ia muito além de suas funções: era um espaço de encontros, notícias, reencontros e histórias compartilhadas.

Com o passar dos anos, os avanços tecnológicos começaram a transformar essa realidade. Após a emancipação de Benjamin Constant do Sul, na década de 1990, o município passou a contar com uma central telefônica mais moderna, instalada no andar superior do ginásio de esportes. A nova estrutura possibilitou a instalação de linhas telefônicas diretamente nas residências, tornando as ligações mais práticas e ampliando o acesso da população à comunicação.

Já no início dos anos 2000, uma nova etapa teve início com a implantação dos primeiros telefones sem fio, por meio do sistema WLL. Essa tecnologia ampliou as possibilidades de acesso ao serviço telefônico e permaneceu em funcionamento no município por quase duas décadas, até que as mudanças no setor das telecomunicações trouxeram novas alternativas.

Com a expansão da telefonia celular e a chegada de tecnologias mais modernas, o sistema WLL foi perdendo espaço gradativamente, até ser completamente desativado. Encerrava-se, assim, mais um capítulo da história das comunicações em Benjamin Constant do Sul.

Da primeira central telefônica instalada em uma residência aos modernos aparelhos celulares, poucas décadas foram suficientes para transformar profundamente a maneira como as pessoas se comunicam. O que antes exigia deslocamentos, espera e a intermediação de um telefonista tornou-se uma atividade simples e imediata, acessível à palma da mão.

Entretanto, para aqueles que viveram essa época, as lembranças permanecem vivas. A central telefônica, a casa do telefonista e o serviço dos Correios fazem parte da memória de uma comunidade que acompanhou, passo a passo, a evolução dos meios de comunicação. Mais do que um serviço, aquele pequeno espaço representava proximidade, acolhimento e conexão entre pessoas.

Resgatar a história do telefonista é, portanto, preservar uma parte importante da trajetória de Benjamin Constant do Sul. É recordar um tempo em que cada ligação tinha um significado especial e em que a casa do telefonista era muito mais do que um local de trabalho: era uma verdadeira ponte entre famílias, comunidades e gerações.

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